Piauiense vira símbolo de campanha pelo respeito às pessoas com deficiência auditiva

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“Tudo bem? Meu nome é Tarsila Maria. Tenho 8 anos e moro em Brasília. Hoje, no Dia Nacional do Surdo, eu quero falar com vocês. Têm muitas pessoas surdas, no mundo. Somos todos iguais. Surdo tem força! Juntos faremos um mundo muito melhor. Coloque amor no seu coração. Um abraço”.

Esse é o recadinho da pequena Tarsila Maria, filha da jornalista Cristiane Ventura e do publicitário Júnior Carvalho, conhecida por sua alegria em Teresina, capital do Piauí, onde nasceu e morou por anos com a família, que hoje reside na capital federal.

Nesta quarta-feira (26), Tarsila protagonizou um vídeo do Ministério de Saúde (veja acima), divulgado hoje, para reforçar a luta pela inclusão dos surdos na sociedade.

Tarsila nasceu com a Síndrome de Charge e, dentre outras características, tem surdez profunda e severa.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico 2010, no Piauí  residem 4.730 pessoas com deficiência auditiva severa, ou seja, que não consegue de modo algum ouvir.

Os dados sobre os tipos de deficiência permanente também revelam que 37.474 pessoas possuem grande dificuldade em ouvir e outras 143.771 apresentam alguma dificuldade.

Apesar de muitos avanços, os surdos no Brasil ainda enfrentam grandes barreiras de acessibilidade. Cristiane se mudou para Brasília para que Tarsila tivesse uma educação mais inclusiva, por exemplo. Lá, diferente do que ocorria em Teresina, a mãe encontrou uma escola bílíngue Libras- Português Escrito, que tem Libras, a Língua  Brasileira dos Sinais, como a primeira língua a ser ensinada às crianças.

Data 

26 de setembro, Dia Nacional do Surdo. A data foi criada em 2008 devido ao aniversário da fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e busca promover reflexões sobre questões de acessibilidade e de garantia do direito à cidadania; além de discutir a construção de políticas públicas voltadas às necessidades e demandas dessa parcela da população.

“O surdo precisa ser compreendido. É preciso entender que o surdo tem força para contribuir com a sociedade e tem direitos como qualquer outro cidadão. Esses direitos, por muito tempo, foram negados e, embora eles estejam sendo ampliados agora, o surdo ainda precisa de muito mais espaço para mostrar seu valor à sociedade”, pontua Ventura.

A promoção de ações educativas, criação de leis de inclusão e o devido cumprimento, e  o respeito às pessoas com deficiência ajudarão Tarsila a alcançar o sonho de ser dentista.

Rede de apoio 

Atualmente, Teresina conta com a Associação dos Surtos de Teresina (ASTE), Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos (APADA-PI), o Centro de Apoio ao Surdo e o Centro de Estimulação Sensorial, como uma rede de apoio às pessoas com deficiência auditiva.

Cristiane conta que para fortalecer ainda mais esse apoio é importante que as ações sejam mais descentralizadas para que mais pessoas tenham acesso à informação.

“Quando fala de ações descentralizadas é porque muitas famílias nem sempre possuem condições financeiras de irem até as sedes. E muita gente não sabe como procurar por elas. Com informação, tudo muda”, conta Cristiane.

Quando Tarsila nasceu, a preocupação da mãe, no primeiro momento, não era como a filha iria enfrentar o mundo, “mas como o mundo iria receber ela”.

“Eu fico pensando na minha filha daqui a alguns anos, quando ela andar sozinha, pegar ônibus, ir para onde ela quiser ir sem um acompanhante. Como ela vai se comunicar se as pessoas não estão preparadas?  Eu faço o que está ao meu alcance para o melhor desenvolvimento dela para que ela não veja isso como problema, mas como uma dificuldade a ser superada”, diz a jornalista.

É preciso respeitar às diferenças. E a sociedade estar mais acessível a elas, sem barreiras de comunicação e discriminação por um mundo melhor.

 

fonte:cidadeverde

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